Publicado por: Raphael Godoy | 3 agosto , 2012

Malu e Seus Castelos

Ela brincava de construir castelos. A cada dia uma nova torre, a cada dia um novo muro. Ela criava represas, lagos, poços, casas… Na verdade, aldeias inteiras eram criadas e destruídas conforme sua vontade. Ela podia fazer o forte se sentir fraco e o fraco se sentir forte. Ela podia fazer do rei o bobo e do bobo a rainha, tudo como queria. E como não podia ser diferente, ela veio e mudou meu mundo. Em sua inocente brincadeira de construir castelos, jogou por terra tudo que eu havia construído – ou destruído – em 23 longos anos.

Com o sorriso no rosto – praticamente como o meu rosto – iluminava a sombria dúvida da incerteza e só ressaltava a alegria e a esperança. Não entendia como ela, tão pequena e tão limitada, tinha tanto poder sobre o que eu sentia. Como podia transformar meu dia em céu ou inferno, pela sua simples presença ou sua tão angustiante ausência. Assim era Malu, minha docíssima Maria, minha tão forte Luíza. Mas, como quem brincava de construir castelos, ela não se interessava por isso. Sua única razão era construir um mundo novo. Tão pequena e tão independente. Sua postura altiva parecia querer me dizer, “ei, eu não preciso de você”. Mas, quando eu a segurava nos meus braços, como quem zela por seus sonhos e a sentia dormir tranqüila e serena, era como se eu destruísse os altos muros construídos e estivesse a um passo de seus tesouros.

Tão alegre e tão irradiante, que até o seu silêncio enchia a sala de luz e som e nem seu choro, estridente, porém breve, expulsava a paz que encontrava quando estava ao seu lado e, desta vez, por perto, a podia tocar e sentir.

Tão linda e tão distante que me inspiraria a compor uma nova Canção do Exílio, mas desta vez, não a uma pátria distante, e sim, um pedaço de mim. Uma parte do que sou, que longe não me deixa ser completo e quando está por perto me faz sentir como se fosse o dobro de tudo que um dia imaginaria poder ser.

Porém, mesmo distante, podia sentir que ela construía seus castelos com muralhas, poços e aldeias inteiras. Porque apesar de longe, ela ainda era ela: A mais poderosa das princesas, a melhor construtora de castelos que já conheci.

Afinal, mesmo distante, ela ainda era e sempre será a Malu, minha docíssima Maria, minha tão forte Luíza, minha razão e minha vida. Não por tudo que é, foi ou vai ser, mas simplesmente por ser. Ser minha filha, ontem, hoje e sempre, até mesmo quando o mundo que a cerca a tente fazer esquecer.

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