Publicado por: Raphael Godoy | 1 agosto , 2012

Prandini: De herói a leproso político

Prandini se tornou um leproso político.

Não pensem que estou ofendendo o atual prefeito, não é nada disto, é apenas uma leitura do que se vê por aí. Eu explico. Quando candidato era visto pelo grupo “todos contra Moreira” como o Salvador da Pátria, o Paladino da Justiça que lutaria contra “A Corja”, todos queriam posar ao lado dele, como se dissessem: NÓS VENCEMOS. Hoje, ao fim do mandato, candidatos e cabos eleitorais fazem um esforço para desvincular seus partidos do prefeito. Principalmente o PT, que se faz de marido traído, vítima de um governante cruel, que apunhalou todo o partdio pelas costas. Pura encenação.

De certo, independente do candidato que assumir a prefeitura, não haverá a “temida” continuidade Prandinista defendida por algumas pessoas. Pois, só tem continuidade aquilo que se começa, e muitas coisas no seu governo simplesmente não começaram ou tem a necessidade real e latente de ser desconstruído, como, por exemplo, a internet pública, conhecida vulgarmente como “Prandinet”. Isto é apenas o primeiro ponto para não se preocupar.

Porém, o PT que tem aversão ao Prandini, é, de fato, co-responsável pelo governo Prandini. Não há como negar, foram funcionários do primeiro e segundo escalão escolhidos pelo partido e do partido, pessoas que chegaram de fora por indicação do partido, planejamentos feitos pelo partido, e mais um monte de coisas envolvendo a turma vermelha. Além do que, a responsabilidade tem sim que ser divida pelos dois. Por mais que tentem dizer o contrário, a estrela do partido estará presente nas obras e lambanças do atual governo. Mais sábio seria assumir o erro, e pedir uma nova chance com uma nova direção, do que renegar o passado. Mas, eles preferem cuspir na Geni, do que leva-la para passear no seu zepellim avermelhado.

No último capítulo da tentativa de desassociar o Prefeito do PT e aproxima-lo da chapa feminina. O Fernando, do blog Monlewood, fez um comentário sobre a coligação de Dona Conceição, dizendo que Prandini e sua irmã Poliana, proseguirão no governo caso estas duas vençam. E eu pergunto: que mal há nisto? Afinal, se o PT vencer, dará cargos importantes para seus apoiadores, assim como se o PSDB vencer. Isto acontece não só aqui como no país todo. Ou, o PT não trará para perto de si, pessoas do partido que fizeram parte de uma suposta campanha vitoriosa? Veja como são divididos os ministérios no Governo Dilma, as cadeiras são praticamente reservadas aos partidos, porque haveria de ser diferente aqui?

Mas, mesmo que a previsão do blogueiro se realize e Prandini assuma o cargo de procurador jurídico ou Poliana o de secretária de qualquer coisa, estes fatos por si só não definirão o governo de Conceição. Afinal,eles serão apenas o corpo, enquanto a cabeça será diferente. E os cargos podem ser mudados a qualquer hora caso não comunguem com os interesses do líder do Executivo. Ou seja, a influência de Prandini sobre a liderança seria tão importante quanto a de qualquer outro apoiador. Considerando esta teoria de que Secretários definem o rumo do governo, poderiamos então dizer que o governo Prandini foi uma continuação do Governo Moreira por ter mantido o então Secretario de Planejamento Eduardo Bastos por algum tempo no governo? E que Conceição fará governo semelhante ao do ex-prefeito por ser sua vice? Ou ainda, que Gentil cometerá os mesmos erros de Pandini por ter feito parte do governo? A resposta será, invariavelmente, negativa para todas estas questões.

Desta forma, vejo que a “continuidade Prandinista”, usada pelos opositores de Conceição e Dorinha é muito mais fantasiosa do que real. Muito mais jogo de espelhos, luz e fumaça para fazer “medo” nas pessoas do que algo com que devamos realmente preocupar. Não existe esta conversa, até mesmo porque, descontinuidade de projetos PUBLICOS é o que mais se vê nas trocas de governo. Se o que é bom não é mantido, imagina o que não é bom.

Por fim, uma aviso aos petistas: Hanseniase tem cura. E apesar dos pesares, o Prandini é uma boa pessoa e um bom profissional de sua área de formação, então sejamos mais condecendentes com suas falhas e separemos o homem público do profissional.

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Responses

  1. Parabéns pelo post Raphael!! Há tempos não vejo uma reflexão tão acertada a respeito do que acontece no cenário político atual…

  2. Ora, quanta contradição! Se ocupante de cargo de alto escalão não influencia o governo, como o amigo alega, então realmente o PT não pode ter responsabilidade nenhuma no desastre que foi a administração prandinista, já que apenas ocupou cargos nela. Afirmo isso apenas com base em suas palavras. De outro lado, o que escrevi no texto “O Risco da Continuidade Prandinista” é que a candidatura de Genti e Laércio representa um categórico não ao prefeito Prandini. Diferentemente, da candidatura de Conceição Winter que tem acordos firmados com o prefeito. Foi apenas isso que eu disse. Um abraço e você deveria escrever mais.

  3. Não há contradição aí Fernando. Talvez, só tenha me expressado mal. Quando digo que Prandini não vai influenciar o Governo eu quis dizer que ele cuidará da pasta dele e que as decisões ficarão por conta de Conceição e Dorinha. Não tiro o peso das falhas do prefeito de seus ombros e coloco na conta do PT.

    O que aconteceu no governo Prandini foi que, durante muito tempo, o PT não se posicionou tão contrário quanto agora, o que implica que foi conivente com as decisões do Prefeito. E conivência para mim é igual a apoiar. Se o PT, tivesse tomado a decisão de se retirar do governo assim como algumas pessoas o fizeram (incluindo você), por não acreditar mais no projeto Prandini, entenderia perfeitamente o posicionamento do partido agora. Porém, o momento é muito oportuno para posicionar-se contra ou a favor de qualquer candidato ou partido. Fica muito fácil sair e dizer que não tem nada com isto.

    Mas, repito, se o PT tivesse abandonado o governo assim que Prandini fechou as portas para sua base, e principalmente, para o PT (que foi quem o elegeu), toda esta “polêmica” seria desnecessária e o PT ganharia ainda mais força nesta eleição. No entanto, o partido preferiu ir levando e ver o que acontecia (inclusive cogitando a reeleição de Prandini) até o final do ano passado. Ou seja, era conivente e acreditava que Prandini estava no caminho certo, ou não?

    Mas, sobre o que você escreveu. Sinceramente, não me preocupo com a influência que Prandini possa ter sobre Dorinha e Conceição, apesar de acreditar que as duas não conseguirão sair vencedoras após as eleições. Primeiro porque as duas são raposas velhas da política e sabem muito bem o que é bom ou não para elas. Segundo, porque dar ouvidos a Prandini sobre como governar nao seria uma decisão inteligente para nenhum futuro prefeito.

    Apesar de não gostar de ataques pessoais, o maior problema do governo Prandini tem nome e sobrenome. E você sabe muito bem de quem eu falo. Ah, se o Pranidini não lhe desse ouvidos… Acho que o governo dele teria sido bem melhor.

  4. Dois pesos e duas medidas. Pelas colocações o que se vê é que, se Prandini vai influenciar e fazer a diferença no governo de Conceição, se é que realmente existe esse suposto acordo, isso quer dizer que o PT influenciou e fez toda diferença no governo Prandini, principalmente pq não tinham um só cargo, uma só pasta, eram a maioria…
    Ou o PT não teve nada e ver com o desastroso governo Prandini, mesmo todos sabendo que não suposição, é fato, que eles fizeram parte do governo por 39 meses, e logicamente Prandini nada poderia fazer de diferença num suposto cargo do governo Conceição.
    Ou a linha de raciocínio não é essa e eu estou sendo incoerente??
    Parece que acreditam que o que o governo Prandini fez de certo, a responsabilidade é do PT. O que fez de errado a responsabilidade é dele.
    E com certeza o que tiver de certo no governo Conceição a responsabilidade vai ser da oposição e o que tiver de errado a responsabilidade vai ser do Prandini e da Conceição, lógico.
    O que tenho visto são pessoas histéricas, sem argumento, sem educação e que não sabem quem apoiar, quem acusar, quem atacar e nem de qual partido é mais conveniente ser filiado…
    Talibãs que matam em nome de Alá…
    Hanseníase tem cura… egocentrismo e fanatismo é mais difícil.

  5. Achei bastante produtivo o debate que ora se inicia e, acredito que se “bestar” não vai acabar… Mas, gostaria de acrescentar um “pitaquinho” aí: `Veja bem, é sabido que o Prandini só trabalha em “EUQUIPE”, o que nos provou tanta intransigência no lidar com a coisa pública. Por outro lado, poderíamos até acrescentar que os seus assessores deveriam ter tido mais autonomia, mas o problema é que autonomia não se ganha, conquista-se… além da questão da hierarquia e até daquela coisa de quem pega o boi pelo chifre…
    Dessa forma, é muito difícil desassociar o PT do governo Prandini; da mesma forma que fica difícil de aceitar ou até de entender o porque da aliança da chapa da Conceição com o PV. E não adianta separar a figura do Prandini com a citada aliança, por causa de sua identificação com o Partido.
    O melhor mesmo é esquecermos de tudo isso e analisarmos a experiência político-administrativa de cada candidato, junto às suas propostas, colocar tudo na balança, escolher aquele que mais se identifica com as reais necessidades de nossa cidade, votar e … seja o que Deus quiser!

  6. Cara, é tanta coisa envolvida que daria para se escrever um livro. As pessoas têm uma visão muito simplória sobre o PT. Assim como qualquer organismo vivo, o PT tem suas complexidades. Uma coisa é uma pessoa deixar o governo, como ocorreu comigo, logo no início. Outra, é um partido inteiro fazer o mesmo, enquanto o prefeito pressiona pela manutenção da estatus quo. Foi um processo turbulento e difícil. Alguns, que eram vistos como petistas históricos, preferiram ficar, por exemplo. Agora, o fato é que houve a ruptura, ou seja, houve a decisão petista por não continuar. Antes tarde do que nunca! Nenhum partido orgânico como o PT consegue fazer o que foi feito com um estalar de dedos. E o movimento de ruptura com Prandini existia no PT, desde o segundo ano do mandato. Foi um processo longo e tumultuado. Fosse outro partido daqui do Município, pastava que um cacique desse uma ordem para que as coisas acontecessem. No PT não é assim: tudo é discutido e votado. O que se discute neste momento é quem representa a continuidade prandinista. E, certamente, não é o PT. Do contrário, não teria rompido.

  7. Com certeza, daria para escrever um livro e nele estaria escrito que o PT foi e ainda é governo!


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