Publicado por: Raphael Godoy | 3 julho , 2010

A Copa do Mundo não é nossa

Acabou a febre de imbecilidade chamada Copa do Mundo. Um torneio que movimenta milhões e milhões de dólares e que acontece apenas (graças a Deus) de quatro em quatro anos. Durante este pequeno tempo de loucura injustificada eu tentei por várias vezes tentar racionalizar esta paixão estúpida por um título mundial que nada soma pra ninguém.

Empresas multinacionais não vão trazer suas fábricas e negócios para o Brasil por ele ser referência no esporte. A educação não vai melhorar porque o Brasil é o hexacampeão de um esporte supervalorizado por nós brasileiros. Os nossos políticos não vão pegar leve com suas falcatruas e roubos descarados só porque o Lúcio levantou uma taça de ouro. Não, a copa do mundo não é a solução para os problemas do nosso país. Como disse uma vez o Nelson Rodrigues, “O futebol é o ópio do povo”. Apenas uma droga que ameniza a triste vida de milhões de brasileiros, que não tem educação, não tem emprego e, as vezes, nem um lugar digno para se chamar de lar.

Toda vez que ligava a TV lá estavam atores, músicos, atletas, escritores, ex-jogadores e toda uma leva de pessoas que são formadores de opinião discutirem o que o Dunga deveria fazer para o Brasil ganhar. Porém, nunca vi estas mesmas pessoas se reunindo para discutir os rumos do Brasil. Discutindo opções de como educar melhor nossas crianças e de como transformar o país em um rio de oportunidades para todos. Os jogos se transformam em desculpa pra tudo. Se o Brasil joga o país para, prefeituras, fóruns, órgãos públicos em geral. Tudo para. E aqueles que não tem nada a ver com a copa, são prejudicas por benditos 90 minutos de um esporte.

Gosto do futebol, mas sobre tudo gosto da rivalidade gerada pelo futebol. Discussões amistosas entre cruzeirenses e atleticanos são ótimos passatempos, as gozações, zombarias e piadas após um clássico são um espetáculo a parte. Mas, ser campeão do mundo? Peraí, eu não conheço nenhum argentino. Vou zombar de quem, para quem vou contar piadinhas, com quem eu vou poder debater sobre isso? Não tem nada disso. Apenas festa na rua, cerveja, música alta e sem hora para voltar pra casa. E depois, é sentar e esperar o próximo jogo.

Mas agora acabou. Não haverá mais próximo jogo. Não haverá mais festas. Não haverá mais esta loucura transvestida de patriotismo. Vestimos as cores do nosso país para torcer por uma seleção de jogadores, mas não temos o mesmo orgulho no dia da pátria. Durante a copa somos os melhores em alguma coisa. Nos restante do tempo, somos bombardeados pelos resultados do desleixo de nossos políticos e de nossa população que cruza os braços a cada caso de corrupção denunciado. Ficamos revoltados quando perdemos um jogo por 2 a 1 por uma das melhores seleções do mundo. Mas, não ligamos de um deputado qualquer sair do país com 1 milhão de reais na cueca.

Em outros países, o dia da pátria e outras datas cívicas são comemorados como fazemos diante das vitórias do Brasil na copa. As bandeiras são vistas em casas e escolas durante todo o ano. Cantam com orgulho seu hino nacional como se cada dia fosse uma nova batalha para fazer um país melhor. Tenho orgulho de ser Brasileiro, não por sermos pentacampeões de futebol, mas por ter uma das melhores políticas de combate a AIDS do mundo. Tenho orgulho de morar num país solidário. Tenho orgulho de morar num país que tem um potencial de crescimento enorme. Tenho orgulho por vários motivos, mas o futebol não é um deles.

A copa do mundo não é mais nossa. Os sonhos de um país melhor, sim. A questão é se vamos vibrar pelas boas causas da mesma forma que vibramos para o Brasil conseguir mais um gol.

—- x —-

Comemorar vitória em Copa do Mundo é tão imbecil quanto o vídeo abaixo.

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Responses

  1. Caro Amigo Raphael,
    você está coberto de razões em se comparando os problemas que poderiam ser resolvidos pelo volume de dinheiro movimentado; tmabém, o envolvimento com as questôes sociais, que geralmente, são adiadas, manipuladas, como aconteceu conos em 1970.
    Mas, por outro lado, se bem organizdo e sem influências, o futebol mundial, assim como outros esportes pode agregar valores e até mesmo agregar povos em guerra civil. Mas, onde está o homem está também um peso.
    A frase que Nelson Rodrigues citou é um trocadilho da célebre frase “Die Religion … Sie ist das Opium des Volkes.
    Religião é o ópio do povo – (Karl Marx, 1844)”.
    E assim o é.
    Abraços.

  2. Obrigado pela informação do “trocadilho” do Nelson. Me recordava de ter ouvido a versão original, mas não lembrava onde. =D

  3. É VERDADE NO BRASIL A O PATRIOTISMO SE EXERCITA DE 4 EM 4 ANOS! JÁ ESTAMOS DISPONIBILIZANDO VIA E-MAIL NOSSOS NOVOS CARTÕES DO BOLSA PALHAÇO (MODELO ACIMA), PARA TANTO OS INTERESSADOS QUE PATRIOTICAMENTE QUISEREM OSTENTAR EM SEU BLOG OU SITE, POR FAVOR FAÇAM UM COMENTÁRIO, COLOCANDO NO MESMO O NOME A SER IMPRESSO NO CARTÃO E O E-MAIL! PRECISAMOS DIFUNDIR ESTA IDEIA! AFINAL TODOS TÊM DIREITO! POR QUE NÃO NÓS? VEJAM A REPORTAGEM CLICANDO NO LINK “VOZ DO CIDADÃO”:


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