Publicado por: Raphael Godoy | 9 junho , 2010

Monlevade, uma cidade sem identidade cultural

Sou monlevadense, orgulhoso por ter nascido nestas terras e furioso pela mentalidade da maioria esmagadora da população. João Monlevade, apesar de ter uma grande diversidade cultural, tanto com iniciativas privadas quanto com iniciativas públicas, é um local onde nada vinga. Prova disto, foi a 5ª Cultural, evento de altíssima qualidade dirigido pela talentosa Sammy Lima, que se mostrou muito decepcionada com os resultados obtidos, mas, ainda acredita que um dia a idéia pode dar certo.

Em conversa com outro promoter da cidade ouvi a frase que intitula este post e faz muito sentido: “O monlevadense não tem identidade culturual”. O Monlevadense não vai aonde ele quer ir, ele vai aonde vai ficar mais cheio. Mistura qualidade do evento com quantidade de pessoas e com o famoso “quem vai estar lá?”. Prova disto, foi na I Expo Moda realizada ano passado no Ideal. Um evento sem precedentes na história de monlevade, que se propôs a trazer algo diferente para uma população carente de novas coisas na cidade onde “nunca tem nada”. No mesmo dia, em outro local, teria MAIS UMA festa com Fabricio e Elcimar. Nada contra os dois, muito pelo contrário, são dois expoentes da cultura monlevadense, mas, estão sempre por aqui. Resumindo, a Expo Moda que foi uma idéia incrível perdeu público para a outra festa justamente pelo discurso: “TODO MUNDO VAI PRO FABRÍCIO E ELCIMAR”. Eu fui na Expo Moda porque era algo que me agradava e fazia parte da minha identidade cultural.

Mas, do que o monlevadense gosta? OPEN BAR e lugares onde todo mundo vai. Não adianta, se for show do Odair José, open bar e todo mundo comentar que vai, o evento fica cheio. Cheio de gente que nunca ouviu falar em Odair José e que ainda fala mal da música dele durante o show. Mas foram, porque todo mundo estaria lá. Se compararmos monlevade com uma cidade como São João Del Rey, por exemplo, não perdemos muito em população e nem em público alvo. Ou melhor, se escalonarmos as duas cidades ainda assim teria um buraco imenso dividindo as duas cidades. São João, para quem conhece, foi considerada a pouco tempo atrás como a Capital Nacional da Cultura. Tem cinema, bares com música ao vivo aos montes, festival de inverno tradicionalíssimo na região, além de outras vertentes culturais. Lá se respira cultura, o ar tem cheiro de entretenimento. Monlevade não, até os bares com música ao vivo não saem das mesmice. Os mesmos cantores, os mesmos repertórios, a mesma audiência. Infelizmente, é um cenário difícil de ser modificado, pois, não adianta o que se faça, não adianta o que se mude, a cabeça das pessoas permanece a mesma. Ou melhor, regride a passos largos, pois até os espaços alternativos que surgiram, fecharam as portas pouco depois como aconteceu com o Emporium Jubiabá, Argonautas e Umma Gumma. Hoje, a única alternativa que se apresentou foi o Catedral, mas que tem todo seu potencial sucumbido pela cultura de ir aonde todo mundo vai.

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Responses

  1. Pra te deixar mais otimista um pouquinho, encerra-se no proximo dia 16/08 o curso “Desenvolvimento e Gestão Cultural” que ao longo de tres meses debateram-se estas questões e através de um laboratório foram desenvolvidos projetos pra levar opções culturais à população e também estratégias para formação de público, algumas envolvendo a educação deste. O curso termina mas ficam aí novos 30 gestores culturais, agora resta torcer para que este trabalho de frutos! Abraço atencioso de uma das novas Gestoras Culturais. Carol Dias.


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