Publicado por: Raphael Godoy | 17 fevereiro , 2010

Ilusionismo

As vezes é dificil diferenciar o que é real do que é ilusão. A vida, por vezes, parece ser um eterno show de ilusionismo. Coisas desaparecem e aparecem sem saber de onde vem e tampouco para onde vão. Assim é o jogo de amar. Por muitas vezes acreditei em ilusões. Personagens ideais, perfeitos, infalíveis e irretocáveis. Perfeitos até demais. Perfeitos até o ponto que esbarram na realidade fria e imutável da vida.

Amar parece coisa fácil, basta estar sempre ao lado, apoiando, oferecendo afeto, sendo o primeiro a dar a mão e o último a ir embora nos momentos difíceis. Ledo engano. Quando amamos pessoas de verdade, o amor, esse sentimento tão puro e tão ingênuo se estraçalha, espalha-se em mil pedaços e se mostra tão pequeno e frágil, que percemos que até mesmo este sentimento era ilusório.

Já amei diversas vezes, cada vez mais arredio, mais com medo das coisas que não são reais. Palavras não são reais. Eu te amo, por sua vez, também não. Paixões? Só tive juvenis, eram mais para amores platônicos, criados e destruídos por mim mesmo, sem ninguém mais tomar conhecimento. Me feria e me curava, num ciclo quase vicioso, quando resolvi amar uma pessoa real.

E assim amei. Uma, duas vezes. Por outras vezes apenas me apaixonei, coisa rápida, lampejos de ilusão que passaram como meteoro em minha vida. Mas quando amei, aí sim, foi que descobri a tênue linha que separa o ideal do real. A linha que dividia o que eu queria do que a vida me oferecia e eu nem sequer percebia. As vezes, me questiono ainda se eu realmente amei, se realmente fui amado, se eu me iludi ou somente permiti que outra pessoa fizesse isso comigo. Quase surto nestes momentos.

São lembranças antigas que constantemente reaparecem em meus sonhos, seja acordado ou dormindo. Lembro-me de Sabrina, a primeira pessoa que amei, companheira de muitos momentos importantes. Lembro dos bons momentos, mas também, na maioria das vezes, os maus momentos vem a tona. Penso nas descobertas que fizemos juntos, no tempo de amadurecimento que tivemos, mas não consigo evitar de pensar na ilusão que vivi. Acreditar que tudo poderia ser concertado quando, na verdade, não podia. Ter a impressão de que um dia as coisas voltariam ao normal, mas, esquecer de pensar na hipótese que talvez o que tenha acabado fosse a ilusão, e a realidade é que nunca havia estado normal.

Lembro de outras pessoas com quem me relacionei, e lembro da vez que entrei de cabeça onde não devia. Mas não me queixo mais, a filha que tenho equilibra a equação e vejo que existem coisas que somente Deus consegue entender. Talvez, Alice seja uma dessas coisas. O que parecia perfeito mesmo quando estava torto foi quebrado de repente, assim mesmo, sem mais nem menos, simplesmente acabou. Não consegui ver o manto da ilusão ser retirado, o que vi foi apenas o chão se abrindo sob meus pés e o cheiro da desilusão que saia daquele buraco fétido.

Nestes três casos, eu tinha uma certeza, era a mulher da minha vida. Nos três casos, quebrei a cara. Sofri de várias formas, senti dores em lugares que nem sabia que podiam doer, senti frio, medo, solidão. O que penso sobre o amor? O que penso ser verdade ou ilusão? Não sei. Ando por este campo, como o cego anda em lugares desconhecidos, tateando o vento e pisando com cuidado. Então me surge mais uma pessoa. Uma nova oportunidade, um novo começo. E o que faço com o medo? Nada, apenas ignoro e sigo em frente.
Como isso vai acabar ainda não sei. Sinto como se a conhecesse há muito tempo, os gostos são parecidos, toleramos nossas imperfeições, agradamos da companhia um do outro. Mas em meio a tanta felicidade, ainda há espaço para dúvidas, será que é real ou será apenas mais uma ilusão? Estou certo de que não estou apaixonado, sei disso porque não sinto que ela completou o meu mundo, ou outras coisas exageradas. Sinto apenas que é ela, mesmo tendo pouco tempo. No entanto, é não saber das coisas que faz os truques de mágica parecem tão incríveis e, assim é, com esta nova realidade/ilusão que me atrai. Só espero que quando o segredo for revelado, e a ilusão destruída, eu descubra que o que separa o real do ideal seja apenas um vidro e não um espelho que reflete os meus desejos mais profundos.

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