Publicado por: Raphael Godoy | 7 março , 2009

Wag The Dog

Wag the dog

“Why the dog wag a tail? Because the dog is smarter than tail. If the tail was smarter, it would wag the dog.”

O filme Wag The Dog (1997) que foi escrito por David Marnet, baseado no livro “American Hero” de Larry Beinhart e dirigido por Barry Levinston, nunca me pareceu tão propício de ter sua atenção como agora, guardando suas devidas proporções, é claro. No Brasil, o filme Wag The Dog foi lançado com o nome “Mera Coincidência” devido à história se assemelhar com o escândalo político envolvendo o ex-presidente americano Bill Clinton e a estagiária Monica Levinski. O detalhe é que o filme foi gravado antes mesmo do episódio ter acontecido e por oportunismo de marketing foi lançado com este nome.

Mas, o que mais chama atenção nesta comparação que começo a fazer agora não está no brilhantismo da produção do filme ou na atuação marcante de Dustin Hoffman, Robert De Niro e Anne Heche. Está na frase que abre o filme e que citei em inglês logo no início do texto. A tradução literal da frase é: Por que o cachorro balança o rabo? Porque o cachorro é mais esperto que ele. Se o rabo fosse mais esperto, ele balançaria o cachorro.

Dentro da minha experiência como jornalista de mídia impressa e de assessoria de comunicação, consigo perceber este jogo, agora dos dois lados. Mas, nunca vi uma assessoria tentar fazer algo com tanta grosseria e falta de tato. Mas antes, deixa eu explicar quem nesta história é o rabo e quem é o cachorro. De fato, pela sua função, a imprensa é o cachorro e o poder público é o rabo, ou seja, o jornalismo procura as informações, cutuca, investiga e por aí vai, e o governo dança conforme a música. Quando acontece o contrário, e o governo tenta se antecipar à imprensa podemos dizer que o rabo está querendo balançar o cachorro.

Este tipo de relação tem acontecido com freqüência cada vez maior no Governo do Prefeito Gustavo Prandini. Quase que diariamente, a assessoria de comunicação do governo envia, a toda imprensa monlevadense, releases (matérias prontas que visam cavar um espaço nos jornais ou gerar outras pautas do interesse de quem envia) falando desde serviços básicos oferecidos à população até reuniões realizadas com empresas e grupo de moradores.

Como mencionado em texto anterior (veja este), algumas tentativas de manipulação da imprensa chega a ser gritante. Como foi com o “congelamento” do preço da passagem, o “adiamento” do carnaval e o anúncio de R$ 700 mil reais para reforma do areão, na mesma semana que a prefeitura anunciou a perda de R$1 milhão com a arrecadação do VAF – detalhe, o que se arrecada com VAF pode ser investido em saúde, educação, esportes, entre outros e os R$ 700 mil só pode ser investido no parque do areão.

Além destes surge outro ainda mais recente em que a prefeitura anuncia que fechou acordo com alguns itens da pauta de negociação com o Sintramon (Sindicato dos Servidores Públicos), no entanto, no corpo do texto diz que todos os itens aceitos pela prefeitura ainda estão em estudo, ou seja, a prefeitura não pode garantir o cumprimento do item para o momento e nem tampouco afirmar quando que poderá ser implantado.

Ainda na semana, mais precisamente na quinta-feira (05 de março), a prefeitura enviou uma nota a imprensa rebatendo as críticas de “um jornalista da cidade” – Thiago Moreira. A polêmica carta gerou discussão e pode tumultuar um pouco as discussões e as pautas dos jornais, bem na véspera da audiência no TRE-MG que poderá definir a cassação do prefeito Gustavo Prandini. Se foi uma tática da prefeitura eu não sei. Mas, esta foi a melhor forma que conseguir pensar para justificar uma atitude tão estabanada e sem nexo como mencionado neste texto.

Porém, para o azar do governo, nem todos os jornais pararam no tempo. Muitos contam com jornalistas formados ou experientes. Jornalistas que sabem de suas funções e conhecem o sistema. Que jornalista não se depara com uma situação dessas e não se lembra da “teoria do agenda-setting”? Eu, particularmente, não me ofendo com as tentativas da prefeitura de emplacar nos jornais a versão que eles querem que o povo saiba. O que me envergonha é pensar que a tão capacitada equipe do Prefeito Gustavo Prandini, acredite que alguém, na imprensa monlevadense, possa cair com facilidade nestas “armadilhas”.

Defendo que a assessoria de comunicação aja desta forma, aliás, esta é a função dela – conseguir espaço na mídia para aquilo que eles acham importante que a população saiba e que saiba do jeito que a prefeitura quer. Mas, a forma descarada que isto tem sido feito, incomoda. Talvez formas mais sutis consigam seu espaço na imprensa. Como é o caso do que acontece naqueles jornais que dependem da prefeitura para sobreviver. O tema principal é tratado bem como a prefeitura quer, mas, não da forma escancarada que se previa que fosse publicado.

Para quem ficou com vontade de ver o filme veja o trailer aí embaixo, está em inglês. Para quem gostou de ver os tramites políticos vistos de outra forma, continue visitando o whisky.

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