Publicado por: Raphael Godoy | 17 novembro , 2008

O Silêncio que Antecede o Desejo

Era tarde da noite e estava sem sono, então resolvi ir até a janela para ver o que acontecia na rua. Vi um bêbado caído, um gato preto e dois jovens caminhando, mais especificamente, um jovem e uma jovem. O que os levou até a porta da minha casa eu não sei, mas não deviam estar vindo de longe, estavam a passos curtos e sem pressa, como se não quisessem chegar ao seu destino.

De vez em quando olhavam para trás – eles devem estar me vendo – pensei. Mas não, eles não me viam, eles viam o passado e o que os levaram até ali, àquela conversa que poderia se estender durante madrugada afora. Talvez, pensassem no que o destino havia reservado para os dois e no que estava prestes acontecer.
Como que de repente, os dois se calaram, não se ouvia mais risadas e muito menos conversa. Parecia que um anjo havia se intrometido entre eles, e com os dedos feito os dois se calarem. No meio daquele silencio, que durou apenas alguns segundos, um sorriso surgiu no rosto do rapaz, como se aquele silêncio fosse o mensageiro de que alguma coisa mudaria dali para frente, a ausência de sons, por algum motivo, o fez se sentir vivo, como se algum sentimento há muito esquecido, torna-se a visita-lo.

Como um relâmpago na escuridão, ressurge o som.

– O céu esta lindo hoje! Não é mesmo?! – perguntou a garota.

– É ta bonitinho.

– Bonitinho é pouco. Isto é realmente marivilhoso.

Talvez a jovem não sabia, mas, para o rapaz aquelas estrelas não brilhavam tanto quanto os lindos olhos que ele via. E comparando estes olhos com as estrelas, o céu realmente se tornava bonitinho, talvez não aos meus olhos, nem nos olhos de outra pessoa. Mas para o rapaz, naquele momento, nada irradiava mais beleza do que a garota.

O jovem devia ter seus motivos para não dito nada, e por isso apenas sorriu e concordou:

– É… Realmente, esta muito bonito mesmo.!

Mas algo me diz, que ele não estava mais interessado em estrelas, ou, em qualquer outro assunto que conversaram até ali.

Eles continuaram andando rumo a seus destinos.Se era o mesmo? Eu não sei. Depois de alguns passos, eu já não os via mais. Se ele um dia contou para a garota o que sentiu naquela noite? Eu também não sei. Se ela sentiu o mesmo? Eu não percebi.

Voltei para minha rua, e novamente vi o bêbado e o gato. O bêbado já havia se levantado e já cambaleava para sua casa e o gato me observava como que tentando descobrir o que o destino reserva para mim. Entrei novamente, e fui dormir pensando no que tinha visto. E aqueles que já escutaram o silencio que antecede o desejo, sabem muito bem o que aconteceu.

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Responses

  1. Ohhh. Esse silêncio dá uma aflição sem tamanho. Mas é muito bom. Realmente se faz sentir vivo.

    Matheus

    http://www.oultimoromance.wordpress.com


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