Publicado por: Raphael Godoy | 10 novembro , 2008

Máquina de Pinball

Primeiramente deixo claro duas coisas. Um – não entendo bulhufas de arte para escrever uma crítica sobre uma peça teatral, dando inferências sobre o que quer que seja e tampouco sobre suas influencias. Dois – o texto que segue são apenas impressões de um espectador carregadas por suas experiências de vida e seus anseios.

Quando vi o espetáculo que realmente é um espetáculo, retomei a velha pergunta que meus pais me faziam desde quando era pequeno: O que você quer ser quando crescer? E eu já quis muitas coisas: Quis ser “médico de criança”, quis ser rico, quis fazer Sistema de Informação, quis ser psicólogo, astrólogo (Graças a Raul – Só para conhecer a história do principio ao fim), quis ser psicólogo, quis ser tudo, menos jornalista. E hoje é o que eu sou: um jornalista e escritor nas horas vagas.

Este espetáculo, Máquina de Pinball, é dirigido por Gil Esper e tem no elenco os atores Priscila D´Agostini, Isaque Ribeiro e Rodrigo Fidelis. A peça era praticamente o caos que se instaura no meu computador enquanto trabalho com a internet conectada, é vídeo, é música, é conversa, é texto, é tudo – e ao mesmo tempo não é nada. É informação demais pra capacidade de absorção de menos. E aí vem aquele sensação de estou perdido, apaga tudo e começa de novo, porém, não dá, é a vida. Mas com o tempo se acostuma com aquela bagunça muito bem organizada e até lembramos daquela coisa de que a arte imita a vida e a vida imita a arte. O choque é legal justamente neste ponto, arte geralmente é feita para nos tirar de uma realidade que não gostamos, no entanto, Máquina de Pinball nos joga pra dentro dela com tanta força e fúria que é impossível resistir à queda.

maquina

A personagem principal: Camila. Mais uma pessoa perdida num mar de possibilidades do que ser e fazer. Fazer o que gosta ou o que dá dinheiro? Comprar o que posso ter ou me afundar em dividas e ter aquilo que quero, mas não posso? Ter uma relação estável ou sair se apaixonando a cada festa? O que diabos me mantém vivo e que me faz feliz? Perguntas que nos fazemos a cada instante de nossas vidas e nem sequer percebemos. Tem também os amores antigos, os valores antigos, as coisas que nos formaram, pra onde foram? O que fazem hoje? Somos todos frutos de nossas escolhas e é aquela coisa, temos que saber escolher. Mas como?

Saí do teatro confortavelmente anestesiado. Não alegre, feliz, como quem sai de uma comédia depois de rir até sentir dores abdominais. Coisa que “dá pra fazer”, afinal o humor ácido e irônico que nos faz rir de nossa própria desgraça como se fosse apenas a do outro, está presente do início ao fim, e nem dão folga para que reflitamos sobre o que estamos rindo. Se desse tempo para pensar, veríamos que rimos de nós mesmos e nem percebemos.

Uma crítica constante às coisas que parecem não fazer sentido mas que ao mesmo tempo são abraçadas por gente como a gente, como se fossem as coisas mais importantes do mundo. O Cálice Sagrado, o Santo Graal, a Arca da Aliança ou o novo IPhone com tecnologia 3G. Rimos de nossa escravidão pelo nosso trabalho e das muitas derrotas que temos.

Além de tudo, é uma peça que nos remete àquela linda trilogia que gostamos tando de lembrar: Sexo, Drogas e Rock n´Roll, e trabalhado de forma tão diferente que ao mesmo tempo tempo que se posiciona claramente sobre os três tema, não faz qualquer juízo de valor.

No fim das contas me senti assim: Perdido, incapaz de mudar meu próprio sentido, mas não me senti só como das outras vezes, me senti sentado ali, naquele sofá branco, ao lado de Camila, me perguntando as mesmas coisas que ela. E coincidentemente, saí de lá com a mesma determinação da personagem. E é com este texto torto, misturando análises, impressões e reflexões comigo mesmo que resolvo minha vida. Decido minha vida como fez Camila:

Vou fazer o que sempre quis, mas não hoje, talvez amanhã.

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Responses

  1. Sensacional.
    Vou publicar no nosso site pode?

    he he he

  2. […] meus irmãos, e alguns amigos. Foi ótimo e de quebra ainda assisti de um espetáculo de teatro “Máquina de Pinball”. Novembro foi terminando e com ele o curso, foi muito proveitoso, porém […]


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