Publicado por: Raphael Godoy | 12 novembro , 2008

o genro que eu não queria ter

Todo pai quer, no mínimo, o melhor para sua filha. E sempre imagina ver sua filha casada com um rapaz respeitoso, honesto, trabalhador e que, por milagre de Deus, não seja pobre. Espera um genro que seja educado e até um pouco tímido, que não tenha vícios e que preserve o sexo para depois do casamento, mas que não seja gay. Ou seja, o pai sonha mais com o príncipe encantado do que a própria filha.

Porém, nem sempre, o pai tem a sorte de ter seu sonho realizado e, quando menos espera, vê um qualquerzinho sentado no seu sofá, abraçando a sua filha e rindo do seu pijama. Eu, acreditando na sorte que Deus me deu, com certeza vou ser um dos poucos privilegiados de ter um genro hippie, militante do movimento pela legalização da “alguma coisa canabis” e que, ainda por cima, seja o amor da vida da minha filha.

Todos os dias pares, e os ímpares também, vou chegar do trabalho e dar de cara com aquilo que minha filha chama de namorado, afinal este inútil não vai ter emprego e vai ser um recém-formado do 2º Grau. Ele estará sempre lá, impregnado, esperando qualquer oportunidade para ir até a geladeira e fazer aquele banquete as minhas custas. Isso sem contar nas inúmeras vezes que eu o pegar usando o banheiro de portas abertas.

E tem as vezes que eu ficarei acordado até altas horas em vigília constante, para que ele não tente fazer nada de errado com minha filha, ou então, sendo obrigado a escutar os seus futuros sucessos. O que me faz lembrar que, além de todas as qualidades supracitadas, ele pretenderá ser músico. Se fosse músico graduado em faculdade até que ia, mas é só músico, daqueles que tocam em barzinhos na esperança de um dia ficar famoso e fazer dinheiro cantando. E para piorar o filho da mãe, não terá talento algum.

Além disso, eu nunca vou saber a procedência desse individuo, aliás, ele não tem sobrenome é apenas Tchuco para minha filha e Marley para os amigos. Os pais dele devem ter desistido de criar a aberração e entregaram a um bando de hippies que passavam por ali. Porque quando eu perguntar onde ele mora e ele vai responder que a casa dele é o mundo. Ou melhor, era o mundo, porque o infeliz não sairá da minha casa.

O pior de tudo é que o pobre pai, no caso eu, terá que agüentar tudo calado. E compreender que a filha gosta do sujeito, e não importa quantas cervejas e salames ele roube da geladeira, ele será sempre meu querido e adorável genro e nunca poderei dizer tudo que realmente penso dele, isso tudo para não magoar a minha princesinha e não tomar aquele esporro da minha esposa, que por motivos desconhecidos vai adorar o menino e achar ele um doce.

Isto porque amor de mãe é assim mesmo, se a filha esta sorrindo ela também sorri. Mas, eu sei que o fulaninho não presta, porque de safadeza de genro só pai entende.


Responses

  1. Ah não ! Se eu tenho um genro assim eu dou um jeito de eliminá-lo do mundo humano. Porra. O cara passa a adolescência toda, alguns mais do que isso, fornicando com garotas inocentes pelo mundo a fora. Vê como é bom, e as vezes fácil, conseguir uma garotinha pra passar a noite pelo menos nos beijos. Dae tu envelhece. Casa. É fiel. Tem uma filhinha linda. E dae de consumidor tu passa a ser fornecedor. Triste demais. Espero que quando chegar minha hora eu esteja mais light. Mas isso já me dá medo agora.

    Muito. Mas MUITO legal teu texto !

    Matheus

    http://www.oultimoromance.wordpress.com


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